Rua Reta


Porque dia 04/05 é tão especial:

“...chegando na Cohab II em 1980 com   apenas 06  de idade , lá cresci  fiz muitas amizades, conheci minha ex- esposa mães das minhas filhas, e tive como meus  primeiros amigos os próprios moradores e vizinhos do prédio (condomínio), depois   todos os moradores dos prédios vizinhos foram se conhecendo e dai surgiram alguns grupos de amigos  dentro do bairro (funções, boys, rockeiros, maconheiros e os reservados) mas lembro que  existiam limites  de vizinhança uns não podiam chegar até o território  do outro , porque os moradores daquela parte dentro do Conj. Habitacional José Bonifácio se sentiam  os donos do pedaço, onde tudo era motivo de brigas porque na COHAB foi uma  união  das pessoas  com baixa renda familiar da grande São Paulo e até de outros estados.
“Hoje com 39 anos posso dizer que  tive uma ótima  e maravilhosa história  PRINCIPALMENTE  na Rua RETA onde foi a nossa rua de lazer e palco de muitos acontecimentos na vida de muitos moradores da região, isso porque quase todos moradores  estudaram nas mesmas escolas o famoso SALIM , YERVANT e RUTH CABRAL  e ali as amizades foram  crescendo a cada ano que passava,  e hoje muitos sobreviventes e guerreiros assim posso chamar , estão se encontrando novamente  depois de muitos anos na pagina criada  na Rede Social do Facebook   GRUPO  Amigos da Rua RETA , onde hoje  estamos conseguindo reunir  todos aqueles moradores desde o inicio do Conjunto José Bonifácio - COHAB II  - Itaquera  / SP .
“Mas também tinha as brincadeiras direcionadas aos meninos, peão, pipa, bolinha de gude e carrinho de rolimã, e claro eles não deixavam "nós meninas" brincar, e eles tinham seus carrinhos de rolimã e desciam a ladeira na maior diversão e nós ficávamos morrendo de vontade, por que claro jamais deixavam a gente encostar nos carrinhos. Então tive uma ideia, quis fazer um carrinho só para meninas!!! hehehehe
Tinha um menino que morava na minha rua que ele "pegou emprestado" (rsrsrs), uma tábua de uma construção e deu pra gente, a tábua tinha quase um metro de comprimento, daí meu pai me deu as rolimãs, precisou 5 rolimãs, um outro garoto fez o carrinho a gente pintou e colocamos o nome de "BUZÃO"!!! E claro só meninas andavam!!! e cabia bem umas 5 meninas no carrinho, descíamos a rua gritando Buzão, buzão!! Uma vez minha mãe saiu na janela e brigou comigo pq ela ñ entendeu buzão e achou que estávamos falando um palavrão!!!! (que sonoramente falando é tem um pouquinho de semelhança!!!) kkkkk”

“Fui morar na Cohab com 3 anos de idade e desde então, acabei fazendo muitos amigos. Durante minha adolescência comecei a conversar com o XXX e em um baile do formatura do Yervante que foi realizado na Casa de Portugal, acabamos ficando juntos. No dia seguinte do baile, nos vimos na rua reta e até chegamos a dar um selinho,mas teve um amigo dele que o chamou para dar uma volta de carro e quando ele voltou, começou a me evitar, depois deste dia, ele passava por mim e mal me dizia "oi". “

“Meu nome é XXX e meus irmãos são XXX e XXX, nossa mãe é a Dona Maura da Barraquinha de doces perto do Salim, ela conseguiu uma licença da prefeitura para montar esse pequeno comércio em uma época que não havia quase nada na cohab, sendo assim, ela ficou muito conhecida e por conta disso nós também ficamos conhecidos... e ela vai estar na festa para rever adultos que na época eram crianças e compravam doces com ela para levar para a escola.....

                Nos anos 80, foi povoada a Cohab II, também conhecido como Conjunto Habitacional José Bonifácio, como toda comunidade nova as pessoas, até então desconhecidas viram a necessidade humana de se relacionar umas com as outras. O resultado óbvio dessa ação é a construção de amizades, uma vez que a solidariedade é fundamental, e já que a maioria dos novos habitantes não se conheciam, foi primordial para todos que se relacionassem, se conhecessem, filtrassem suas amizades e depois de um tempo então firmaram-se relacionamentos.
                Muito bem, passaram os anos, amizades nasceram algumas inimizades também, até porque isso faz parte do relacionamento humano.
                Agora depois de uns bons e longos 33 anos, o tempo encravado nas pessoas, a distância imposta pelo destino a cada um dos indivíduos, gerou uma reação que somente foi possível porque a internet torna o tempo e a distância algo tão surreal que não seria possível descrever. Muito bem, algumas pessoas que viveram o tempo bom que não volta mais, pois é assim que tratamos o passado sempre, tiveram a iniciativa de criar uma comunidade na internet com o intuito de rever, ou relembrar as histórias boas que ficaram na lembrança e na retina das pessoas. O efeito imediato dessa ação de criar a comunidade, foi o encontro, mesmo que virtual de um monte de amigos, de colegas, de ex e atuais, entre todos os outros títulos possíveis para esses casos.
                A internet ficou pequena para tantos encontros, então sugeriu-se que fizéssemos um encontro dos amigos, na rua que foi um marco para muita gente, pois nessa rua aconteceram coisas, histórias, fatos, e essa rua é a Rua Reta, que como o nome sugere, é uma rua reta, sem curvas, onde de um lado da rua pode-se visualizar a última esquina.
                O encontro deixou de ser um encontro e passou a ser um evento, quando o que se percebeu foi que tinha muita gente com a mesma necessidade de encontrar pessoas que fizeram parte de suas vidas, seja do ponto de vista profissional, amoroso, ou então só porque as pessoas tinham o prazer de estarem juntos.
                Durante as conversas o que se pode notar é que haverá uma presença maciça dos amigos dos anos 80, então pensou-se, temos que ter música, anos 80, encontramos o DJ, profissional é claro, mas é amigo da Rua Reta, então deixou de ser profissional para ser o amigo que vai tocar o som na festa, como era feito nos anos 80 na casa dos amigos.
                A previsão de ter presentes mais de 350 amigos em uma rua, nos parece ser diferente de qualquer evento, já que  é só uma reunião de amigos, nunca foi encarado como uma festa onde as pessoas querem ganhar dinheiro, ou vender um show. O trabalho que vem sendo feito para que a festa seja perfeita ocorre totalmente de forma voluntária, quem pode ajudar ajuda como pode, não há cobrança de um para o outro, porém, há um compromisso de todos os envolvidos nesse processo.
                O por que achamos importante uma cobertura da mídia nesse evento?
                Em um mundo tão violento, onde as pessoas se preocupam mais com dinheiro e coisas do que com as pessoas, nos parece que estamos na contra mão desse mundo, o que iremos fazer é tão somente reunir alguns amigos, falar do passado, ouvir algumas músicas e dar muitas risadas. Agora se temos o privilégio de termos cada um de nós mais de 640 amigos, isso deve realmente ser publicado.
                Em tempo: a Rua Reta não chama Rua Reta, tem um nome que a Prefeitura deu, e que nós rebatizamos, mas o nome oficial é: Cosntantino Fernandes. (Se não encontrar pelo nome oficial, pergunte na Cohab onde fica a Rua Reta)

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