Palavras

Há palavras e apalvaras.
Quanta magia envolve as palavras, quantas vontades envolvem as palavras.
há um mistério em cada palavra dita, escrita ou com vontade de ser dita, que nossas teorias jamais poderão alcançar.
Há palavras que quando ditas são capazes de nos levar a um estado de felicidade nunca alcançados pelos mais nobres gestos.
Há palavras que quando ditas são capazes de nos fazer tão infeliz, que sentimos um amargor que nem o fel poderia alcançar.
Há momento que um olhar nos diz tudo, sem uma palavra. Mas ela está lá. Talvez se fosse dita, não teria a menor graça. Talvez se fosse dita, não teria a intensidade que no nosso mais íntimo desejo nós colocamos. Talvez faltasse a ternura que nós imaginamos ou a sensualidade que desejaríamos.
Em outros momentos a palavra é tudo que não queremos.
Depois de um momento delicioso, o corpo exausto, nenhuma palavra dita. Mas os arrepios, o relaxamento natural do corpo, os olhos semi abertos, o suor, o perfume exalando pelos poros traduzem: Que delicia!!
Ah! Palavras!
Elas invadem nosso íntimo de uma forma inexplicável, nos deixa confuso, feliz, excitados, enfim, tudo.
Se forem bem usadas então? Podem transformar uma pessoa, um período, uma vida.
E não podemos fugir delas. Elas estão ai a todo momento, em todo canto, em todos os lugares. Quando as colocamos num papel, colocamos também nossa alma, colocamos também nossas fantasias, nos colocamos junto com elas. Ai temos medo de imprimi-las, preferimos elas escondidas dentro da nossa cabeça, do nosso imaginário. Achamos elas tão perigosas e traiçoeiras que não queremos mostrá-las para mais ninguém.
Mas, achamos gênios os que transformam as palavras em textos. Achamos que nunca poderemos fazer igual. O medo! O Covardia!
Mas a natureza é sabia.
Ela escolheu os corajosos para essa tarefa. Ela escolheu os mais despudorados para se desnudar frente a um pedaço de papel.
E para os que não escrevem, ou pelo menos acham que não escrevem, ficam com a mais dura das tarefas: interpretar as palavras do outro e traduzir isso nos seus sonhos e se comparar a ele ou admira-lo, por saber que ele é tão igual que nenhuma palavra conseguiria exprimir.

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