Coisas que não percebemos
O prazer e a paixão têm tantas formas de serem demonstradas que a gente muitas vezes se perde nelas.
Podemos dizer: eu te amo, adoro ficar com você, quero ficar com você de novo, adorei tudo isso.
Mas tem uma que eu acho impressionante, porque muitas vezes ela não fica explícita por uma série de motivos.
Um deles pode ser um bloqueio, outro motivo, pode ser o fato de não querermos nos expor para o outro com a preocupação de não nos tornarmos vulneráveis ou nos mostrarmos frágeis.
Dentre as diversas formas implícitas, ou escondidas, ou bloqueadas está o perfume do outro.
Quão delicioso é sentir o suor do outro penetrando em nossos poros e misturando-se ao nosso.
Como é bom sentir o outro derretendo, se desmanchando de prazer, como nos deixa satisfeito satisfazer. Isso é uma natureza humana, agradar o outro.
Como é agradável o perfume inigualável e inconfundível.
Há uma teoria que diz que as atrações se dão pelo perfume, ou o cheiro, do parceiro. O perfume desperta um hormônio que torna incontrolável a sedução e o controle sobre alguns sentidos.
Sabe quando juramos que vamos dizer não e de repente já dissemos sim? Segundo essa teoria isso ocorre por causa do cheiro.
Como é fácil sentir tudo isso sem dizer nada pro outro.
Sentimos na pele a pele do outro, sentimos no nosso suor o suor do outro, sentimos nos lábios o sabor de cada um misturado se tornando um só, como uma porção mágica e inebriante.
Como ele não vai saber mesmo, ficamos nos cheirando aproveitando cada instante do outro em nosso corpo, e por que não dizer, que somos abusados o suficiente pra sugar cada miligrama do suor dele. Melhor que isso, esse cheiro fica na memória, quando menos esperamos, o inusitado: num momento completamente insano sentimos aquele perfume. Lembramos de todos os instantes juntos, os momentos, as caricias.
No final sempre queremos mais, mas conscientemente e longe do perfume, tentamos ser fortes e negar aquela sensação. Que erro!
Porque vamos procurar no lugar mais remoto da memória o momento mágico onde tudo isso começou, nos perdemos nos labirintos traiçoeiros dela e tentamos uma explicação lógica.
Mas mesmo assim, ainda dançamos sozinhos, sem música. Como que num sonho, querendo aquele cheiro de novo, querendo aquele suor outra vez, e se deixar, vamos querer desidratar o outro e levar aquele cheiro no corpo, na memória, no coração, na alma.
