E-mail final da Globo


Dia 04/05 haverá na Cohab II, no Conjunto Habitacional José Bonifácio, uma reunião de amigos. Qual o motivo para enviarmos um e-mail para uma emissora de televisão para que haja cobertura desse encontro? Vou tentar relatar essa importância através do texto abaixo:
                “Era uma vez.. Um bairro tão tão distante ... onde não havia energia elétrica nas ruas, não havia comercio nem lazer para atender aos muitos moradores que lá chegaram com suas famílias, também não havia grades, muros, cercas ... um lugar onde as crianças corriam nas ruas, brincavam a principio de amarelinha, bolinha de gude, pipa, depois essas crianças foram crescendo, a energia elétrica chegou nas ruas, os primeiros mercadinhos foram se instalando, as brincadeiras passaram a ser o futebol no Grêmio, beijo/abraço/aperto de mão nos estacionamentos ..as turminhas foram se formando, as amizades se consolidando, as rixas e inimizades também.. Normal para uma comunidade que a essa altura já era uma CIDADE...”
Na década de 80, isso do século passado, surgiu um bairro novo em São Paulo, que era longe de tudo e de todos. Um lugar não habitado e que de repente foi “invadido” por uma onda de pessoas vindas de diversos lugares de São Paulo, e foi bem assim como descreve uma das amigas que estará na nossa reunião de amigos.
O resultado óbvio dessa ação é a construção de amizades, uma vez que a solidariedade é fundamental, e já que a maioria dos novos habitantes não se conhecia, foi primordial para todos que se relacionassem, se conhecessem, filtrassem suas amizades e depois de um tempo então se firmaram relacionamentos.
                Agora depois de uns bons e longos 33 anos, o tempo encravado nas pessoas, a distância imposta pelo destino a cada um dos indivíduos, gerou uma reação que somente foi possível porque a internet torna o tempo e a distância algo tão surreal que não seria possível descrever.
Muito bem, algumas pessoas que viveram o tempo bom que não volta mais, pois é assim que tratamos o passado, tiveram a iniciativa de criar um grupo na internet com o intuito de rever, ou relembrar as histórias boas que ficaram na lembrança e na retina das pessoas, histórias como essas:
E ela, gentilmente, sempre se oferecia para ser o "meu grupo" rs. Isso tudo é de conhecimento de meu marido e filho. E consequentemente a Barbara já era alguém vivo em nossa família, mesmo sem a menor possibilidade de reencontrá-la, já que havíamos perdido contato, acredito que a cerca de 30 anos. E o "reencontro virtual", foi incrível!!! Nos falamos e nos identificamos em muitas coisas, e hoje batemos altos papos, inclusive, através do Grupo no FaceBook. 
Morava no bairro Bosque da Saúde até os 06 ANOS , chegando na Cohab II em 1980 com   apenas 06  de idade , lá cresci  fiz muitas amizades, conheci minha ex- esposa mães das minhas filhas, e tive como meus  primeiros amigos os próprios moradores e vizinhos do prédio (condomínio), depois  todos os moradores dos prédios vizinhos foram se conhecendo e dai surgiram alguns grupos de amigos  dentro do bairro (funções, boys, rockeiros, maconheiros e os reservados) mas lembro que  existiam limites  de vizinhança uns não podiam chegar até o território  do outro , porque os moradores daquela parte dentro do Conj. Habitacional José Bonifácio se sentiam  os donos do pedaço, onde tudo era motivo de brigas porque na COHAB foi uma  união  das pessoas  com baixa renda familiar da grande São Paulo e até de outros estados.
O efeito imediato dessa ação de criar o grupo foi o encontro, mesmo que virtual de um monte de amigos, de colegas, de ex e atuais, entre todos os outros títulos possíveis para esses casos.
A internet ficou pequena para tantos encontros, então se sugeriu que fizéssemos um encontro dos amigos na rua que foi um marco para muita gente, pois nessa rua aconteceram coisas, histórias, fatos, e essa rua é a Rua Reta, que como o nome sugere, é uma rua reta, sem curvas, onde de um lado da rua pode-se visualizar a última esquina.
As histórias como sempre devem ser relembradas e respeitadas como todo o passado merece ser, mesmo que pareçam ser absurdas ou então inusitadas, como é essa de outra amiga, que também estará na nossa reunião de amigos:
“Tinha um menino que morava na minha rua que ele "pegou emprestado"(rsrsrs), uma tábua de uma construção e deu pra gente, a tábua tinha quase um metro de comprimento, daí meu pai me deu as rolimãs, precisou 5 rolimãs, um outro garoto fez o carrinho a gente pintou e colocamos o nome de "BUZÃO"!!! E claro só meninas andavam!!! e cabia bem umas 5 meninas no carrinho, descíamos a rua gritando Buzão, buzão!! Uma vez minha mãe saiu na janela e brigou comigo pq ela ñ entendeu buzão e achou que estávamos falando um palavrão!!!! (que sonoramente falando é tem um pouquinho de semelhança!!!) kkkkk”
Durante as conversas o que se pode notar é que haverá uma presença maciça dos amigos dos anos 80, então se pensou: temos que ter música, dos anos 80. Encontramos o DJ, profissional é claro, mas é amigo da Rua Reta, então deixou de ser profissional para ser o amigo que vai tocar o som na festa, como era feito nos anos 80 na casa dos amigos. O que se quer nessa festa não é falar de atualidades, e sim, relembrar as histórias do passado, memórias que ainda fazem parte da vida das pessoas que frequentaram a Rua Reta, mesmo que fosse só por alguns instantes.
“No dia seguinte do baile, nos vimos na rua reta e até chegamos a dar um selinho,mas teve um amigo dele que o chamou para dar uma volta de carro e quando ele voltou, começou a me evitar, depois deste dia, ele passava por mim e mal me dizia "oi". “
Nossa mãe é a Dona Maura da Barraquinha de doces perto do Salim, ela conseguiu uma licença da prefeitura para montar esse pequeno comércio em uma época que não havia quase nada na cohab, sendo assim, ela ficou muito conhecida e por conta disso nós também ficamos conhecidos... e ela vai estar na festa para rever adultos que na época eram crianças e compravam doces com ela para levar para a escola.....”
                A previsão de ter presentes mais de 350 amigos em uma rua, nos parece ser diferente de qualquer evento, já que é só uma reunião de amigos, nunca foi encarado como uma festa onde as pessoas querem ganhar dinheiro, ou vender um show.
O trabalho que vem sendo feito para que a festa seja perfeita ocorre totalmente de forma voluntária, quem pode ajudar ajuda como pode, não há cobrança de um para o outro, porém, há um compromisso de todos os envolvidos nesse processo.
                O porquê achamos importante uma cobertura da mídia nesse evento?
                Em um mundo tão violento, onde as pessoas se preocupam mais com dinheiro e coisas do que com as pessoas, nos parece que estamos na contra mão desse mundo, o que iremos fazer é tão somente reunir alguns amigos, falar do passado, ouvir algumas músicas e dar muitas risadas. Agora se temos o privilégio de termos cada um de nós mais de 640 amigos, isso deve realmente ser publicado.
                Em tempo: a Rua Reta não chama Rua Reta, tem um nome que a Prefeitura deu, e que nós rebatizamos, mas o nome oficial é: Constantino Fernandes. (Se não encontrar pelo nome oficial, pergunte na Cohab onde fica a Rua Reta)

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