Calma, muita calma

Tic, tac, tic, tac, tic, tac.
O tempo marcado dois por dois, e o coração louco descompassado.
As pernas ansiosas querem caminhar, mais que isso, querem correr.
As mãos geladas, quentes, geladas, quentes, sem ordem nisso.
A cabeça confusa, cheio de pensamentos perdidos.
Tic, tac, tic, tac, tic, tac,
O tempo pacientemente dois por dois, no mesmo compasso.
Os olhos olham para todos os lados ao mesmo tempo, sem foco.
Os labios balbuciam palavras desconexas, como se não existissem ordem.
A fome, a sede, tudo saciado e tudo sentido novamente.
Tic, tac, tic, tac, tic, tac.
E o tempo? Igual.
Sem se importar com nossos sentidos, mesmo que sem sentidos.
Passando da forma como sempre foi. E nós?
Loucos e desvairados. Tentando aprender a se controlar.
Como resolver? Ouvindo os mais velhos, e quem mais velho que o tempo?
Que sabe que tudo tem sua hora, seu momento e sua vez.
No tempo em que o tempo determinar.
No instante perfeito, sem antes, nem depois.
Sem atrasar, nem tampouco adiantar.
Tic, tac, tic, tac, tic, tac,

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